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Por que o Afeto é Importante no Desenvolvimento da Criança em Idade Escolar?





Para responder a esta pergunta, recorro à palavra “motivação”. Já em Aristóteles a motivação humana é conduzida por meio de dois extremos: a afeição e a desafeição. Assim, nossa mente nos dirige em direção do agrado e repele o desagrado. Sabemos que o afeto cumpre função capital na atividade da inteligência. Sem afeto não haveria interesse, nem motivação; e, conseqüentemente, perguntas ou problemas nunca seriam colocados e, assim, não haveria espaço para a inteligência operar. A afetividade é um pré-requisito para a inteligência, desde a mais tenra idade. É o psicólogo suíço Jean Piaget quem ressalta que na relação entre inteligência e afeto, o afeto produz, ou pode produzir, o desenvolvimento de importantes estruturas cognitivas. Alerta, ainda, que a condição do afeto pode retardar ou acelerar a formação de tais estruturas.

            O psicólogo russo Lev Vygotksy faz uso da expressão “função mental” para acenar aos conceitos de pensamento, memória, percepção e atenção, dimensões pilares do processo educativo. Assim, para ele, a gênese do pensamento está na motivação, no interesse, na necessidade, no afeto e na emoção, combustíveis essenciais da autoestima. Quando o psicólogo francês Henri Wallon plantou a ideia de uma psicogênese (isto é, do desenvolvimento dos processos mentais e funções psíquicas) da pessoa completa, levou em conta o sujeito como um todo. Assim, seus afetos, emoções, motricidade e ambiente físico, estabelecem-se em um mesmo nível. Os estágios do desenvolvimento humano, à luz dos estudos de Wallon, ocorrem sucessivamente, preponderando o binômio afeto/cognição. Assim, no estágio que este psicólogo nomeou como impulsivo-emocional, característico do primeiro ano de vida, é o afeto que norteia as reações que a criança apresenta aos que a rodeiam.

Por muito tempo razão e emoção foram vistas como entidades antagônicas, remontando mesmo à Grécia Antiga, que tem em Aristóteles o defensor ferrenho deste dualismo. Em outro momento histórico já tivemos o filósofo alemão Emanuel Kant defendendo a supremacia da razão sobre a emoção. Ainda hoje reside em algumas culturas a ideia de que quem pensa com o coração é uma pessoa fraca; quem pensa com a cabeça está sempre com a razão. Mas, há aqueles também que ficam do lado do pressuposto de que o ideal é buscar algum equilíbrio entre estes dois pratos desta emblemática balança. Fundamentalmente, temos no russo Vygotsky, rompendo esta dicotomia razão-emoção, a ideia primordial da unidade cognição-afeto no desenvolvimento humano. Para ele, “a forma de pensar, que junto com o sistema de conceito nos foi imposta pelo meio que nos rodeia, exclui também nossos sentimentos. Não sentimos simplesmente: o sentimento é percebido por nós sob a forma de ciúme, cólera, ultraje, ofensa. Se dizemos que desprezamos alguém, o fato de nomear os sentimentos, faz com que estes variem, já que mantém uma certa relação com nossos pensamentos”. Se aceitarmos a ideia de que sentimento e pensamento em algum momento se casam, reconhecemos novamente que a autoestima surge daquilo que o sujeito representa valorativamente para si mesmo, quando se avalia, cognitiva e/ou afetivamente, nas mais diversas facetas, como a pessoal, a familiar, a social ou a acadêmica. O que somos hoje, decorre fortemente das interações mais remotas que tivemos com nossos pais. E em tais interações a qualidade do afeto não pode ficar de fora.

            Os afetos são linguagens universais contagiantes. Ideia, aliás, presente no estudo do desenvolvimento dos processos mentais e das funções psíquicas humanas e, fundamentalmente interacionista (princípio que se refere a interação do indivíduo com a cultura), do estudioso Henri Wallon, onde a afetividade na criança é considerada mais que uma dimensão pessoal, é entendida como uma etapa desenvolvimental. Desta forma, o contágio afetivo constrói as pontes indispensáveis que possibilita ao indivíduo promover as interações. O afeto com seu poder de contágio, pode ser o principal combustível a dar movimento aos mecanismos de construção da autoestima. Temperando tal questão com um pouco de lirismo, a nossa poetisa mineira Adélia Prado já revelara no poema Ensinamento: “minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento”. Quero entender o recado concluindo que o evento prioritário é o sentimento, condição primeira do ensinamento. Para ilustrar, eis uma bela história (infelizmente de autor desconhecido) sobre o contágio afetivo, que nos remete novamente à ideia de que podemos comunicar os afetos das mais diversas formas.

Bem a propósito desta imagem de contágio afetivo no contexto sócio-historico-cultural, o psicólogo americano Michael Cole considera a possibilidade de existir influências culturais no desenvolvimento do futuro ser, já a partir do período que antecede seu nascimento, mesmo não estando em contato presencial com o ambiente. Para o autor, já no imediato período pós-natal o pequeno ser se mostra sensível e é já modificado pela linguagem do ambiente que a mãe integra.

Esta teia cultural dinâmica e intrincada em que está imersa a criança, mesmo antes de nascer, pode adquirir outras nuanças, inclusive perversas, que poderão lançar seus encantos invocatórios sobre o processo de construção da sua autoestima e, talvez, das aprendizagens. Infelizmente vivemos um movimento anacrônico de fazermos apologia à importância da infância e da criança, assim como do valor do seu percurso escolar, e, ao mesmo tempo produzirmos e alimentarmos uma dinâmica cultural dirigida na contramão desta via: temos esquecido as crianças e este esquecimento é social, cultural e, fundamentalmente, afetivo. A verdade é que as crianças estão cada vez mais distantes das famílias, seja pela extenuantes cargas laborais dos pais que os mantém cada vez mais tempo longe do convívio dos filhos ao longo da semana, seja pela sedução das comunidades virtuais que os prendem nos seus aposentos, enquanto os pais vêem televisão, o que resulta em uma forma moderna de abandono afetivo. Por isso, urge lembrarmo-nos sempre da importância da afetividade em todas as ações humanas, no lar ou na escola.

Entre os sujeitos em interação, há uma atmosfera comunicacional e metacomunicacional construída pela cultura, pelas partilhas dos comuns, pelas negociações, pelas idiossincrasias dos interagentes, pela co-construção de significados, pela semiótica, etc. Tal atmosfera guia a co-construção do eu dos sujeitos e, considerando o papel da unidade afeto-cognição em tal construção, contribui na construção da autoestima dos indivíduos em interação.

 






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