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A criatividade censurada


Patricia Pantaleão
Patricia Pantaleão é publicitária, atriz e apaixonada por criatividade e teatro de improviso. Especialista em criatividade pela Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA) e pelo Centro Internacional de Estudos de Criatividade (SUNY – Buffalo State/EUA). Desde pequena se destaca pelo seu jeito espontâneo e por suas ideias inovadoras. Hoje, realiza palestras e workshops criativos por todo o Brasil com um conteúdo transformador e divertido. Ministra cursos on-line e presta consultorias a empresas na área de criatividade e inovação. No teatro, é formada por grandes nomes da improvisação nacional e internacional. Com uma metodologia própria, resgata a espontaneidade e liberta o poder criativo, ensinando novos olhares e novas atitudes para uma vida próspera e feliz. Para isso, utiliza dinâmicas de improvisação e técnicas de quebra do pensamento padrão. É também pioneira no Brasil em IMPRO-Business.



Quando se fala em criatividade, muitos tentam entender como desenvolver esta ferramenta. Alguns teóricos dizem que a criatividade é aprendida. Outros, que existe um componente genético que favorece ou não um pensamento fora do padrão. Em minha opinião, todos somos criativos no seu mais alto grau. O problema é que esta criatividade vai sendo censurada, amassada, diminuida até o momento em que acreditamos que viemos ao mundo sem ela.

Nas palavras de Pablo Picasso: “Todas as crianças nascem artistas. A dificuldade está em continuar sendo assim quando crescem.”

Desde muito cedo aprendemos a nos censurar. Quando nossos pais dizem “menina, isto não é jeito de se vestir?” ou “menino, sai da terra que você vai se sujar”; “pare de brincar e vá estudar!” as primeiras censuras vão se instaurando em nossa mente. E quanto mais convivemos com essas figuras de poder (pais, professores, líderes religiosos) vamos aprendendo o que é “certo” e o que é “errado”; na visão deles, claro. 

Certamente não fazem por mal. Entendamos que estão apenas transferindo a nós o que aprenderam, as censuras que tiveram também.

Por um lado, há uma parte boa nisso tudo. Sem a capacidade de controlar nossos impulsos, fazer julgamentos e escolher quando e como agir, estaríamos arruinados – seria praticamente impossível viver em grupo. A própria civilização é um conjunto de acordos e limites feitos para podermos controlar nossas ações. No entanto, há um preço caro a se pagar: a supressão de nosso verdadeiro eu.

Gastamos tanto tempo exercitando nossos músculos do julgamento, que os músculos da criatividade vão se atrofiando. O processo criativo exige que a pessoa confie em seus impulsos e deixe fluir ideias aparentemente irracionais, não-lineares, ou "loucas". Seria ideal esquecer todos os “não faça isso menina”, “assim não, moleque” e fazer da vida uma grande tela em branco sem limites para ousar.

As habilidades para avaliar e criticar são importantes, mas se elas estiverem fora de equilíbrio, nossa criatividade estará constantemente sendo bloqueada.

Mas já que é impossível “resetar” nossa caixinha pensante, façamos como dizia Raul Seixas: "A desobediência é uma virtude necessária à criatividade".

É isso mesmo. Se quisermos criar, teremos que desobedecer quando nosso senso diz “é ridículo”, “é estranho”, “é feio” ou “é errado”. Temos que agir ao contrário, misturar cores que “nunca combinariam”, exercitar nossa ousadia e, assim, aprenderemos a conviver com nossos medos e veremos o poder criativo que escondemos. 

As práticas teatrais, jogos de improviso e atividades lúdicas são algumas das muitas práticas que já se adotam em empresas do mundo todo. Essas práticas  desenvolvem a criatividade de seus funcionários, criando um ambiente seguro, onde nada é proibido e/ou vetado e o resultado disso, são ideias geniais brotando da mente de pessoas antes desacreditadas.

Se o ato é ético e o risco é calculado, por que não fazer?

“O homem criativo não é o homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou.” – Abraham Maslow

 






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